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Manifesto da Artista

Essa pesquisa começou com uma vontade de abrir. Abrir pro universo das mulheres, pras sombras que a gente carrega e que quase nunca aparecem. Sou mulher olhando pra outras mulheres, pras questões delas, que também são as minhas. A renda e o recorte em papel vieram daí: um jeito de abrir uma camada e mostrar o que tem atrás, sem forçar, sem explicar demais — só abrindo.

No meio do processo, uma curiosidade boba virou pesquisa. Reparei numas plantas com um tom de rosa, magenta, quase violeta, e fiquei encantada. Descobri que essa cor vem de um pigmento chamado antocianina, e que ele protege a planta do sol — sem luz, a planta perde a cor e a proteção junto. Comecei a carregar essas plantas comigo, registrando como elas mudavam de cor dependendo de onde estavam, de quanta água tinham, de quanto sol pegavam.

Teve planta que quase morreu, secou, pareceu que ia embora — e depois, quando plantei de novo, voltou mais forte. Fui atrás de entender por quê, e caí na mitose: como a célula da planta descarta o que não presta mais, e usa isso mesmo pra se reconstruir. Nada se perde de verdade, só muda de forma.

Foi daí que nasceu o título. Latência é esse tempo que passa entre a gente ver alguma coisa e ela se transformar de verdade — o intervalo onde parece que nada tá acontecendo, mas tá. E estrutural é o que segura esse tempo todo, pra ele não virar esquecimento.

Cada ponto de crochê que uso vira uma célula. Cada camada de tinta guarda um resquício da anterior. Cada corte de estilete dói um pouco, porque abrir alguma coisa sempre dói um pouco.

No fim, é isso: um jeito de olhar pra vida que não segue um relógio só — uma temporalidade que não é a do ser humano, que respeita o tempo de cada coisa. Uma ética do cuidado: da planta, do sal, da mulher, minha.

Formação e Acompanhamento
  • Mario Gioia (2017–2019 e 2023–hoje)
  • Paulo Gallina (2018–2019)
  • Carla Chaim (2020–2024)
  • Grupo de Colagem Abaeté (2019)
  • Ateliê da Praça
  • Ateliê no Espaço de Arte Eny Aliperti

Trajetória e Exposições

2018

Coletivo Pretanos, CAC W (Ribeirão Preto) · Em meio a, Ribeirão Preto

2019

Feira Parte, Clube Hebraica (São Paulo)

2021

Intervento, Sala da Praça · Casa Parte (São Paulo) · Para mudar o estado das coisas, Espaço Fonte (São Paulo) · Ao Redor, Sala da Praça

2022

Intervenções na Casa da Memória Italiana (Ribeirão Preto)

2023

Entre Sombras e Silêncios (individual), Centro de Arte Contemporânea W · Afeiçoar-se, Oficina Cultural Oswald de Andrade (São Paulo) · Nós, Espaço Fonte (São Paulo) e IA-USP (Ribeirão Preto) · Invenções Cotidianas, Ateliê da Praça

2024

Nesse Momento Tudo Está em Tudo (individual) e Uma Piscina, Espaço de Arte Eny Aliperti · Onde Mora a Delicadeza da Força (individual), Casulo Arte e Cultura (São Paulo) · Afeiçoar-se, Centro Cultural dos Correios (Rio de Janeiro) · Linhas de Força Superfícies de Contato, Gare (São Paulo)

2026

Naturezas e Fabulações (curadoria de Mario Gioia), Vazio Criativo (São Paulo), 21/03 a 18/04 · 1ª Mostra de Aquarelas de Ribeirão Preto, Espaço Cultural do IEA-RP/USP, evento paralelo ao 51° SARP · 51° SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo, MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto, com as obras Latência Estrutural e Latência Orgânica, em cartaz de 07/08 a 16/10/2026

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